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Pedro Parente pede demissão da presidência da Petrobras

Presidente da estatal está em reunião com governo na manhã desta sexta-feira


Pedro Parente, presidente da Petrobras, tomou posse em 2016 afirmando que a política de preços da companhia não teria mais influência do governo

Pedro Parente, presidente da Petrobras, apresentou sua carta de demissão no final da manhã desta sexta-feira, 1 de junho, na esteira da crise provocada pela longa greve dos petroleiros que colocou no centro do debate a política de preços de combustíveis da estatal. A mudança foi confirmada pela empresa em comunicado enviado ao mercado no qual informou que a escolha de um novo CEO interino "será examinada pelo Conselho de Administração da Petrobras ao longo do dia de hoje". A reação nas Bolsas foi imediata. A negociação das ações da empresa chegou a ser paralisada para impedir uma queda vertiginosa, mas, retomadas as transações, tanto no Brasil como no exterior, a companhia, que já havia perdido cerca de um terço de seu valor de mercado com a paralisação, já amargava grandes perdas.
Parente estava no comando da Petrobras desde maio de 2016, escolhido pelo presidente Michel Temer logo após a saída de Dilma Rousseff para marcar uma nova gestão alinhada aos standards de mercado após um período de forte intervenção estatal e o escândalo da Operação Lava Jato. Não faz nem um mês que o então presidente da Petrobras comemorava que a empresa, que tem controle acionário estatal, mas também acionistas privados, havia voltado a ser a companhia mais valiosa do Brasil.
Bastaram dez dias, no entanto, para ele vir seu capital político minguar com a greve dos caminhoneiros. Os grevistas exigiam redução no preço do óleo diesel e criticavam Parente pela extrema volatilidade dos preços nos postos. Desde 2017, a Petrobras passou a cobrar pelo diesel e gasolina de acordo com oscilação do mercado internacional de petróleo e do dólar. Só em maio, houve mais de uma dezena de flutuação de preços. Primeiro, Parente foi obrigado a ceder: congelou por 15 dias e deu um desconto no diesel no auge da paralisação. Depois, foi o Governo quem apresentou um acordo para estabilizar por pelo menos dois meses o preço do diesel, reduzir 0,46 centavos de real e subsidiá-lo sem prejuízo para a Petrobras. Mas, a essa altura, já era claro que a política de Parente havia deixado de ser um consenso. Até entre apoiadores do Governo começaram a surgir as críticas, públicas e privadas, de que a política de preços da estatal era demasiado "radical".
"A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do país desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise e colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento. Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel", escreveu Parente, em carta enviada ao presidente Temer.


Posted by Redação Online 09:08:00. . .

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